Cora, Cristovam e a educação

Generalmente estoy de acuerdo con todo lo que Cora Rónai opina. La considero mi alma gemela en la blogósfera (siendo yo, obviamente, la gemela sin talento) Supuestamente es una comentarista de tecnología y gadgets del O Globo, pero como carioca militante, termina siempre hablando de los personajes y problemas de Río de Janeiro (y de sus maravillas también). Sus crónicas de viajes y filmes son invariablemente divertidas e inteligentes. Ahora descubrí que tenemos otra coincidencia: la simpatía por Cristovam Buarque, el único candidato a las elecciones presidenciales brasileñas que me inspira algún grado de credibilidad.

Va en portugués sin anestesia. Después de vivir en Brasil durante 12 años, puede decirse que culturalmente soy un híbrido 75% portuñol y 25% spanglish. Hay cosas que pienso en portugués y que me sonaría rarísimo traducirlas, aunque sea para poder hacerlas inteligibles para los lectores de este blog. Por lo pronto, entonces, algunos posts van a ir en português mesmo, como esta nota de Cora:

“Curiosamente, assisti a este programa no dia seguinte ao da sabatina do candidato Cristovam Buarque aqui no jornal. Além de gostar de Cristovam como pessoa, concordo inteiramente com a tecla em que vem batendo: ou o Brasil se salva pela educação, ou desiste de vez de ser um país decente e relevante. Por coincidência, a pergunta que lhe fiz tinha algo a ver com o ponto central do programa da Oprah: o que fazer para manter as crianças na escola? Cristovam acha que se deve melhorar o ensino, naturalmente, e dar uma forcinha às famílias para que ajudem a manter os filhos na linha. Ele propõe uma poupança-escola que depositaria R$ 100 na conta de cada criança que passa de ano. É uma idéia; mas ando desiludida demais com os rumos do país, quiçá do mundo, para acreditar que possa dar certo. Cada vez mais as famílias abdicam do seu papel na educação dos filhos — seja por falta de tempo, falta de paciência ou pura falta de consciência. Quando se fala das camadas mais pobres, então, e de quem mais precisa de educação, sequer há famílias na equação; há mães adolescentes, cujas mães e avós as tiveram adolescentes, numa triste sucessão de vidas desperdiçadas. A verdade é que há mais forças contra a escola, atualmente, do que a favor, a começar pelo presidente, que ostenta a sua ignorância na lapela, como motivo de orgulho. Estudar envolve uma cota de disciplina e de perseverança que antigamente se justificava pela perspectiva de um bom emprego e de um lugar respeitável na sociedade; mas tudo isso saiu de moda. No mundo da gratificação instantânea, disciplina e perseverança são para otários. Os ídolos da garotada são traficantes, Big Brothers, jogadores de futebol, celebridades em geral; ninguém precisa de diploma se tiver a manha, o corpo e os holofotes da mídia. Cérebro é opcional. Como sair dessa? Honestamente, nem desconfio. É preciso mais do que um candidato solitário batendo, quixotescamente, na tecla da educação; é preciso um banho de cidadania no país inteiro, um banho de civilidade e, sobretudo, um banho de responsabilidade. Mas por onde se começa, quando a tônica dos tempos é a cafajestagem?”

(O Globo, Segundo Caderno, 31.8.2006)

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